Aqueles que já deixaram para trás uma cidade ou uma pessoa amada sabem que a separação é uma experiência dura. Ser demitido ou pedir demissão de uma empresa retrata uma experiência de separação e é, portanto, doloroso e desafiador para a maior parte das pessoas. Empresas com responsabilidade social tem adotado uma postura de valorização integral das pessoas durante toda jornada destas dentro da empresa, o que inclui, este momento de separação.

Estamos vivendo um momento em que empresas estão realizando demissões em massa devido à crise econômica causada pela COVID-19. Por isso, é a hora certa de falarmos sobre desligamento humanizado.

Humanizar o desligamento, significa agir com empatia, cuidado, transparência e coragem.

Mas, afinal, o que é o desligamento humanizado e como você pode colocá-lo em prática ?

O desligamento humanizado, também conhecido como outplacement, surgiu entre as décadas de 60/70, devido ao cenário de recessão e a grande quantidade de demissões. Essas demandas obrigaram as empresas a adotarem atitudes para minimizar os danos aos colaboradores e, também, a sua própria reputação. Foi então que, pela primeira vez, jogou-se luz na maneira como os processos demissionais ocorriam e em como os trabalhadores vivenciavam o período de transição de carreira. No Brasil, essa prática só teve aderência em meados da década de 90 e continua atraindo diversas empresas. 

A partir de então, apoiar o colaborador em sua recolocação, na abertura de um negócio próprio ou em mudança de área, tem se tornado uma prática cada vez mais comum no processo de desligamento em empresas que buscam promover separações mais humanizadas. Tais organizações, se preocupam em prestar assistência estruturada ao colaborador e tornar este momento mais leve/direcionado tanto quanto possível. Assim, investem em sua marca empregadora e são reconhecidas por valorizar pessoas.

A atitude de Brian Chesky, CEO do Airbnb, representa muito bem um case de desligamento humanizado onde , ao anunciar um corte de 1900 colaboradores, adotou práticas incríveis para apoiar seus colaboradores durante todo o período de transição. Destaco aqui as mais inspiradoras:

  • Transparência: Em uma carta aberta à sua equipe, Brian buscou compartilhar detalhes de como chegou a sua decisão, demonstrando transparência e coragem ao revelar sua vulnerabilidade ante às perspectivas para o turismo.
  • Cuidados com a saúde: Garantiu aos funcionários a manutenção dos seguros de saúde por, pelo menos, 12 meses ou, em alguns casos, até o final de 2020.
  • Ações de recolocação: Ofereceu assistência para recolocação disponibilizando um site com recomendações, serviços da equipe de Recursos Humanos para buscar vagas e treinamentos de capacitações. Além de permitir que os colaboradores permanecessem com seus notebooks de trabalho.
  • Redução de danos: Optou por pagar mais 14 semanas de salário para os funcionários desligados e os mantiveram eletivos para comprar ações por um período.

* Para ter acesso à carta aberta enviada por Brian Chesky e as demais práticas adotadas, clique aqui.

Isso é desligamento humanizado! E dentre as vantagens de aderi-lo estão:

  • Melhorar o clima organizacional;
  • Fortalecer a confiança da equipe;
  • Preservar e/ou melhorar a imagem da sua empresa, potencializando o employer branding;
  • Posicionar-se com responsabilidade social;
  • Preservar o bom relacionamento com o profissional;
  • Reduzir riscos de processos trabalhistas.  

Agora que você já sabe o poder de um desligamento humanizado, confira algumas práticas para que você adote essa estratégia na sua empresa, beneficiando a todos os envolvidos:

Planeje todo o processo

  • Pratique feedbacks frequentes com o seu colaborador, compartilhando suas percepções e evidências de desempenho. Assim, você evita que o seu colaborador seja demitido por resultados insuficientes, sem ter tido a oportunidade de se desenvolver, mitigando danos para ambas as partes. 
  • Tenha cuidado com o sigilo das informações. Mantenha-se alerta sobre os dados que alimentam os sistemas e cuide para que as notícias cheguem no momento adequado e de maneira cuidadosa a quem é de direito (o colaborador desligado e os envolvidos).
  • Apesar de não haver uma regra sobre o melhor horário, tenha sensibilidade ao escolher. Pratique a empatia! Uma dica incrível é começar, agora mesmo, a mapear a jornada do colaborador e levantar informações sobre como gostariam de experienciar cada etapa. Isso trará dados para subsidiar a sua escolha. Para saber mais sobre a Jornada do Colaborador Accelere acesse o conteúdo 6 PRÁTICAS de Employer Branding Que Valorizam sua Marca Empregadora ou entre contato com um de nossos assessores.
  • Tenha cuidado ao definir a data do desligamento. Evite datas comemorativas como aniversários, natal, dia dos pais ou das mães. Estes são alguns cuidados simples, mas imprescindíveis na hora de humanizar as separações. Parece óbvio, mas acredite, muitas empresas ainda negligenciam.
  • Realize, sempre que possível, os desligamentos de maneira presencial. Não delegue o este momento a outra pessoa. Prepare um local privado, buscando uma sala que preserve a imagem do colaborador enquanto ele estiver dentro da empresa até o momento de sua saída.
  • Planeje o desligamento. Entre na sala antes de convidar o colaborador e se prepare. Pense na melhor forma de abordar o assunto e quais os sentimentos que pretende gerar. Assim, você poderá gerar emoções positivas através do cuidado e atenção, tornando o processo mais leve e direcionado.
  • Orientamos empresas a reservar um percentual de sua receita para subsidiar ações de transição de carreira para seus colaboradores, seja direcionando-os à recolocação (crie iniciativas de apoio a recolocação como a campanha Adote um Currículo ou pagamento a profissional de outplacement), apoiando a abertura de um negócio ou a mudança de área. Analise e mensure condições de investimento para treinamentos, especialistas em recolocação profissional, plataformas online de recomendações ou, ainda, de extensão de benefícios (assistência médica, utilização de carros, notebooks ou celulares corporativos e, até, mesmo auxílio residencial).
  • Monte um material com recomendações para recolocação e entregue ao colaborador demitido. Indique locais onde o ex-colaborador pode buscar oportunidades, fazendo uma lista de consultorias, sites de emprego ou de grupos de vagas. Insira neste material orientações para desenvolvimento de competências comportamentais; dicas sobre como se portar em entrevistas; orientações para criar um bom currículo; entre outros. Desta forma, o profissional terá uma fonte de apoio para desenvolver melhor suas habilidades e se recolocar, tão rápido quanto possível, no mercado de trabalho.

Adote uma postura de transparência cuidado

  • Reflita sobre quais impressões e sentimentos deseja gerar com a execução do processo de desligamento e, lembre-se, isso diz muito sobre a sua empresa e como ela se relaciona com seus colaboradores.
  • Reconheça os pontos positivos do seu colaborador e agradeça suas contribuições. Esta iniciativa aumentará a segurança desta pessoa facilitando a busca por novas oportunidades. Lembre-se que, não é só porque a pessoa está saindo da organização que ela deixa de ter pontos fortes. Cuide, apenas, para não deixá-lo confuso quanto aos reais motivos do desligamento. 
  • Tenha coragem para demonstrar a sua vulnerabilidade e falar o real motivo do desligamento. Pratique a empatia e cautela para conduzir todo o diálogo. Trate o profissional que está diante de você como você gostaria de ser tratado!
  • Formalize e oriente o colaborador sobre os próximos passos. Indique quem o acompanhará, ainda que interinamente, nos processos demissionais e se mantenha disponível para esclarecer dúvidas ou conceder suporte. Ofereça uma carta de recomendação sempre que não houver algo que desabone a integridade do colaborador.

Diante das oportunidades que o desligamento humanizado gera para a empresa e empregado, o que você está esperando para adotá-lo?! Nós da Accelere apoiamos o movimento Não Demita, mas se assim for necessário, desligue de maneira humanizada e consciente. Vá lá, coloque em prática, e conte pra gente como foi a sua experiência.

Open chat