Você que é líder de equipe pode estar se perguntando o que é Management 3.0, ou, em português, Gestão 3.0? O Management 3.0 tem esse nome por ser um conceito desenvolvido pelo guru em gestão ágil, o holandês, Jurgen Appelo.

O termo é usado para definir um conjunto de ferramentas, práticas e jogos em constante evolução, que reforçam o conceito que a gestão de uma organização é uma responsabilidade do grupo e não individual.

Por Quais Motivos o Management 3.0 Cresceu Tanto e se Tornou Tão Popular?

Porque esse conjunto de práticas, ferramentas e jogos pode ser usado por qualquer colaborador que tem como objetivo:

  • Tornar-se um melhor gerente e/ou líder;
  • Aumentar a produtividade;
  • Estimular a inovação;
  • Motivar uma equipe;
  • Mudar a cultura;
  • Implementar metodologias ágeis;
  • Aumentar a felicidade no trabalho.


Além disso, o Management 3.0 tem como princípios:

  • Encantar a todos;
  • Engajar pessoas;
  • Gerenciar o sistema e não as pessoas;
  • Cocriar, ou seja, criação de soluções em grupo.

Vemos que são objetivos muito comuns para executivos e líderes. Por isso, as práticas do Management 3.0 têm ganhado cada vez mais espaço nas empresas brasileiras.  Realmente, são temas de grande importância.

Segundo uma pesquisa da Forbes de 2012, as 100 empresas presentes no ranking de Felicidade no Trabalho (da revista Fortune) têm vantagens competitivas tangíveis: suas ações se valorizaram 14% a mais do que outras empresas e seus funcionários têm 20% mais produtividade.

Outro estudo, da universidade de Warwick, no Reino Unido, em 2015, constatou que os colaboradores que se consideram felizes trabalham mais horas e, com mais afinco, tendo elevado sua produtividade em 12%.

Se você, líder, também busca maior produtividade, engajamento e felicidade em sua equipe, vamos iniciar uma série de posts detalhando algumas ferramentas do Management 3.0. As ferramentas são de fácil utilização e a ideia é que após a leitura de cada post você já consiga, no próximo dia útil, colocar a ferramenta em prática.

Ferramenta 1 – Mapas Pessoais

As melhores equipes interagem entre si para criar relações de confiança. Nem sempre esse sentimento acontece naturalmente. Para times distribuídos geograficamente ou para equipes com muitas pessoas novas ou ainda em trabalho remoto, a construção da confiança pode ser ainda mais desafiadora.

Nesses casos, o Management 3.0 orienta que se crie a figura de um facilitador para que o time se conheça melhor e com isso a empatia aumente, elevando consequentemente a confiança. Segundo o próprio Jurgen Appelo: “Quando membros do time entendem uns aos outros, apreciam uns aos outros, quando confiam uns nos outros, é quando se tem equipe de alto desempenho”.

Uma ferramenta que ajuda esses facilitadores a promover a familiaridade dos membros do grupo são os mapas pessoais. São derivados dos mapas mentais, criados para facilitar a organização e visualização de diferentes informações sobre um mesmo tema.

O mapa pessoal tem como objetivo desenhar diversas características de uma pessoa. Para desenhar um mapa pessoa inicie com o nome de um dos membros do time no meio da folha. Então, comece a escrever outras palavras em torno do nome da pessoa, tais como formação educacional formal, hobbies, nome de familiares, amigos, objetivos pessoais, ou qualquer outra coisa que você queira colocar.

Faça isso à medida que o outro se permite entregar informações ao grupo ou a você. Para que você entenda exatamente como utilizar os mapas pessoais em um grupo, aqui vamos ilustrar duas situações, sendo ambas facilmente aplicáveis de forma online.

Desenhando o Mapa de Outro Membro do Grupo

Essa forma é bem simples, porém o grupo de pessoas já deve ter pelo menos uma noção básica das informações particulares de cada um. O facilitador pede para os membros do grupo se dividam em duplas. Cada pessoa irá desenhar o mapa do colega.

Em muitos dos casos, ao pensar sobre os atributos do outro, você perceberá o quão pouco conhece sobre ele e aí estará cheio de perguntas envolventes para fazer para seu colega e assim conhecer mais sobre ele, demostrando interesse e criando proximidade.

Ao final, cada pessoa pode fazer uma apresentação sobre o mapa do colega e assim ter um clima mais amistoso e maior familiaridade entre o grupo. Esta prática como descrita neste item é excelente em situações em que um novo líder chega na empresa, pois permite conhecer o time de forma mais despojada.

Desenhando o Próprio Mapa Pessoal

Essa maneira é ótima para “quebrar” o gelo em treinamentos ou workshops. Pode ser usado em momentos que as pessoas ainda não se conhecem ou quando chega um membro novo na equipe. Foi assim que conheci essa ferramenta no Workshop que realizei sobre Management 3.0.

Você desenha o seu próprio mapa pessoal, compartilha a imagem com o grupo e cada membro apresenta o mapa do colega. No caso de reuniões virtuais, pode ser usada uma foto do mapa, desenhado à mão.

Neste caso, tenha certeza de usar uma caneta preta e de ponta grossa para melhorar a visualização, ou, o mapa pode ser feito utilizando algum aplicativo (ex.: Jamboard do Google, PowerPoint ou outras ferramentas de mapas mentais).

Aqui estamos trazendo exemplos básicos de como utilizar essa prática, mas não há limites para a imaginação. Existem relatos inclusive da utilização desta atividade em casa, com os membros da sua família.

Ainda não testei, mas tenho convicção que conhecer mais profundamente as particularidades auxilia muito o exercício da empatia e a resolução de conflitos.

FONTES:

Oswald, Andrew J. , Proto, Eugenio and Sgroi, Daniel. (2015). Happiness and productivity. Journal of Labor Economics, 33 (4). pp. 789-822.

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