Enquanto líder, pergunte-se – como eu posso contribuir para a saúde emocional da minha equipe?

Conversando com alguns profissionais de RH e líderes de equipes sobre o cenário de suas empresas nesse momento em que o mundo passa pela Pandemia da COVID-19 (Coronavírus). O que notamos foi uma percepção geral de desconforto e incertezas. Ninguém estava preparado para enfrentar essa crise e, na verdade, até agora, ninguém descobriu como enfrentá-la.

Empresas um pouco mais estruturadas criaram comitês de gerenciamento de crise, estão mantendo o funcionamento parcial via home office, enquanto outras tiveram que simplesmente fechar as portas e esperar.

Por outro lado, tivemos unanimidade em um aspecto levantado: a preocupação com a saúde emocional dos profissionais. Todos com quem conversamos relataram já terem percebido movimentos de pânico e ansiedade em suas equipes. E, o mais grave, afirmaram não saber como lidar com essa nova dinâmica e com as consequências que estão por vir.

Sabemos que manter a equipe motivada e produzindo, em tempos de crise e instabilidade, é um desafio e tanto! Mas, talvez, o passo inicial nesse processo é promover alguns cuidados que tragam maior equilíbrio emocional para os colaboradores.

Como Contribuir Para a Saúde Emocional da sua Equipe

Abaixo, listamos algumas sugestões para você, líder de equipe, que deseja contribuir com a saúde mental de seus liderados:

Estabeleça uma nova rotina de trabalho

Eu não sei se seu colaborador está trabalhando de casa, ou se em regime parcial, ou se, até mesmo, não parou suas atividades. Mas eu sei que, no cenário atual, é preciso definir uma nova rotina de trabalho.

Faz-se necessário educar a equipe para com os cuidados de saúde e mudanças de hábitos. E lembre-se: é seu papel como líder garantir que todos estejam atuando em segurança e conformidade. Oriente-os quanto às medidas de higiene e limpeza, quanto às restrições de contatos e todas as demais práticas.

Além disso, tente garantir condições de trabalho mais confortáveis, tanto por meio de um ambiente físico agradável, por um clima mais ameno, quanto pela cobrança de resultados adequados à nova realidade.

Se o profissional estiver em home office, oriente-o quanto aos cuidados com a concentração, organização e disciplina. Porém, estimule-o também a fazer pequenas pausas e mostre que compreende, caso ele tenha que fazer interrupções por causa dos filhos ou outros imprevistos em casa. E, por fim, esteja atento às demandas fora do horário de trabalho. Acione sua equipe somente em último caso.

Crie estratégias de motivação e descompressão

É certo que ninguém está imune aos efeitos dessa pandemia. Ter a vida “invadida” pelo desconhecido e lidar com a imprevisibilidade deixam qualquer um de nós tensos e preocupados. Portanto, sua equipe também precisa de momentos de descontração.

Evite o excesso de informações sobre a propagação do vírus, seja por e-mail, nos grupos de whatsapp ou reuniões virtuais. Mantenha uma comunicação clara sobre o que está acontecendo na empresa diante da nova realidade, mas faça-o de forma leve e descomplicada. Você pode ser transparente, sem propagar o pânico.

Além disso, esforce-se por manter sua equipe motivada: crie momentos de integração entre a equipe, proponha desafios, crie novas metas, de acordo com a atual realidade, reconheça os esforços e elogie os bons resultados!

Esteja atento aos sinais de todos os membros da equipe

Cansaço desproporcional, tristeza sem motivo aparente, desânimo, dores frequentes, estado de alerta/defensiva e irritação constante são alguns indicadores de que algo não vai bem. Ainda hoje, muitas pessoas enxergam os transtornos emocionais como sinal de fraqueza e, por isso, ignoram que precisam de ajuda.

Queda na produtividade costuma ser natural em momentos de crise. Porém, quando o colaborador sinaliza mudanças bruscas no seu comportamento, como por exemplo desorganização extrema e perda de prazos, no caso de profissionais que sempre foram muito cuidadosos, ou pouca interação, em se tratando de pessoas habitualmente comunicativas, considere que ele precisa de ajuda.

Além disso, observe algumas falas que podem aparecer com frequência. Algo como: “Está tudo muito difícil!”, “Queria sumir por um tempo!”, “Se pudesse, não queria falar com ninguém!”, “Acho que vou surtar!”, “Tenho vontade de desistir de tudo!”, entre outras.

Ao menor sinal de que seu colaborador não está bem, chame-o para conversar, mostre-se disponível para ajudar, diga que compreende que ele esteja se sentindo mal, mas que pode contar com você!

Mantenha um canal de diálogo aberto

Converse com sua equipe, mas não fale somente de trabalho! Nesse momento de tamanha incerteza, todos nós estamos mais fragilizados. Notar que alguém se preocupa conosco é extremamente reconfortante. Demonstre real interesse sobre o que ele está pensando e sentindo.

Pergunte quais estão sendo suas principais dificuldades, seus maiores desafios e aprendizados. Questione sobre o bem-estar da família, como todos estão se adaptando à nova rotina. Mostre que você também está se adaptando a esse momento e deixe claro que ele pode te acionar, quando precisar.

Se notar que o profissional está emocionalmente desgastado, estimule-o a falar. É importante que ele desabafe sobre seu sofrimento. Escute-o com atenção, sem interrupções. Deixe-o a vontade para dizer tudo que quiser, até que se sinta melhor. Nessa hora, segure seus julgamentos! Não diga frases como: “Mas fulano está numa situação pior que a sua!”, “Não deixa isso te abater!”, “Você precisa ficar bem!”.

Apresente os serviços profissionais de ajuda

Ao perceber que alguém na sua equipe precisa de suporte psicológico, identifique junto ao RH da empresa se existe algum plano estabelecido para o momento. É provável que o RH o encaminhe para atendimento psiquiátrico e/ou psicológico.

Porém, seu trabalho não termina aí! Incentive o colaborador a seguir o tratamento, pois é muito comum a pessoa demonstrar resistência. Mantenha-se próximo, já que o sofrimento não cessará de uma hora para outra. Acompanhe sua evolução, demonstre cuidado e interesse verdadeiro.