De acordo com a Associação Internacional do Controle do Estresse, antes da pandemia de COVID-19, o Brasil já ocupava o 2º lugar entre os países com maior índice de estresse no mundo. No último mês, com a intensificação do risco de contágio, as restrições sociais, os temores de recessão econômica, a imprevisibilidade do futuro e a perda de autonomia; os níveis de estresse no Brasil aumentaram drasticamente. 

É só parar e analisar quanto estresse você já sentiu desde que a Organização Mundial de Saúde anunciou o surto de coronavírus. E é nesse contexto que lhe faço uma pergunta: Você está gerenciando o seu estresse, ou é o estresse que está controlando a sua vida? Reflita!

Faz tempo, o pai da administração moderna, Peter Drucker, já nos sinalizava que é impossível gerenciar o que não se pode medir. É, pois, nesse sentido que me proponho a compartilhar com você algumas formas de identificar o estresse, já que este é um dos primeiros passos para que ele possa ser gerenciado.

Hans Selye, um dos pioneiros dos estudos relacionados ao estresse, o definiu como sendo uma reação complexa, com componentes físicos e psicológicos, resultantes da exposição a situações que excedem os recursos de enfrentamento de uma pessoa.

Mas como identificar se uma situação estressante mobiliza os nossos recursos de enfrentamento de forma positiva, ou se ela extrapola nossas habilidades de enfrentamento, acarretando impactos negativos?

Bom, uma das alternativas é ficar atento aos pensamentos. Isso mesmo! Em uma situação estressante você pode ter pensamentos funcionais ou disfuncionais e, isso pode contribuir ou prejudicar o funcionamento do seu organismo.

Estudos recentes sugerem uma nova forma de lidar com o estresse. Em uma TEDx Talks, a psicóloga da área de saúde e professora na Universidade de Stanford, Kelly McGonigal, se apressa em revelar pesquisas da universidade de Harvard que concluíram que os pensamentos funcionais levam o estresse a ser percebido fisiologicamente e psicologicamente como algo positivo.

Você deve estar pensando: então, mudar como pensamos sobre o estresse pode nos deixar mais saudáveis? Isso mesmo, a ciência diz que sim! Quando mudamos o que pensamos sobre o estresse, alteramos não só nossos comportamentos, mas também as respostas psicológicas e fisiológicas do estresse no nosso corpo.

Neste estudo em questão, os participantes foram submetidos a um teste de estresse social, e o grupo que aprendeu a pensar na resposta do estresse como algo útil para sua performance ficou menos estressado, mais confiante e menos ansioso.

Outra constatação deste estudo foi em relação aos impactos fisiológicos decorrentes da forma de pensar sobre o estresse. Em uma resposta típica ao estresse, é comum ouvir que o estresse aumenta a frequência cardíaca, e os vasos sanguíneos se expandem. Essa é considerada uma das razões pela qual o estresse crônico está associado às doenças cardiovasculares.

Todavia, nessa pesquisa, quando os participantes encararam a resposta ao estresse como útil, seus vasos sanguíneos permaneceram relaxados tal como acontece nos momentos de alegria. Assim, ao longo de uma vida cheia de experiências estressantes, essa alteração biológica pode ser fator decisivo entre morrer cedo com um ataque cardíaco, ou viver bem além da expectativa média de vida da população.

É isso que a nova ciência do estresse revela: a maneira como pensamos sobre o estresse influencia diretamente em nossa saúde e bem estar a curto, médio e longo prazo. Se durante esta leitura você percebeu que sentiu ou sente mais estresse desde o início das medidas de isolamento social, e anúncios sobre os riscos reais que o coronavírus nos impõe, então, esta leitura irá lhe agregar muito valor.

É comum, em nosso dia a dia, atribuirmos uma conotação negativa ao estresse, pois ele é, normalmente, visto como algo ruim. Quando estamos irritados, por exemplo, associamos esse estado à ideia de que estamos estressados. Mas já que temos que lidar com o estresse sempre que uma adaptação nos é imposta, convido-lhe a olhar de uma forma diferente para ele.

Todos nós temos um mecanismo de proteção que é instintivo e sempre que o cérebro detecta uma ameaça, ele envia uma mensagem para o organismo reagir, gerando respostas de fuga ou de luta. Isso acontece para que o corpo tenha ações de proteção, sendo elas de combatividade ou fugacidade, conforme a exigência do contexto.

5 Estratégias Para Identificar e Gerenciar o Estresse em Tempos de Crise

Além de redobrar os cuidados necessários já orientados e reafirmados pelas autoridades de saúde, a forma como você olha para o estresse pode ser determinante para a sua saúde, especialmente em períodos de alta tensão como o que estamos enfrentando.  Identifique o estresse e lembre-se de que ele é útil para você. Por isso:

1 – Saiba que o estresse é um energético natural e pode ser benéfico

Lembre-se de que o coração batendo forte está lhe preparando para a ação. E, se está respirando mais rápido, e de forma correta, seu organismo está levando mais oxigênio para o cérebro, e isso melhorará as funções cerebrais, deixando-lhe, por conseguinte, mais apto para resolver problemas complexos. Seu corpo está ativando o seu instinto de sobrevivência e, preparando-lhe para lidar com as situações estressoras. Enxergue o estresse como um energético natural que te faz agir.

2 – Liste situações que te geram estresse e estabeleça ações de proteção

Quanto mais exposto a situações que lhe oferecem riscos e acarretam insegurança, medo ou ansiedade, mais estresse você tende a sentir. Quanto mais esse estresse for percebido como algo negativo, maior o risco ao qual você fica submetido. Por isso, identifique situações estressoras do seu dia a dia que sirvam para que você estabeleça ações ao seu alcance, ações estas para conseguir sua própria proteção e a proteção das pessoas que estão ao seu redor. Seja prudente, planejando tudo o que puder fazer para se prevenir e/ou suavizar os riscos existentes ao seu entorno.

3 – Estabeleça planos de contingência para estas ações

Preparar-se para assumir práticas alternativas caso as ações estabelecidas, anteriormente, não ocorram como planejadas, o ajudará a reduzir as consequências negativas dessas ações, em um cenário de emergência, porque lhe trará agilidade na tomada de decisão.

Alternativas pensadas com antecedência facilitam a solução de problemas, especialmente, em contextos de crise. Como exemplo disso, nesta semana, você pode orientar sua família e amigos sobre quais hospitais eles devem priorizar, caso sintam-se mal e necessitem de internação. Um dos critérios a serem analisados para tal orientação pode ser a qualidade e a segurança da assistência no setor de saúde como, por exemplo, a priorização de hospitais acreditados pela ONA (Organização Nacional de Acreditação). Outro critério pode ser a boa reputação hospitalar, priorizando-se aqueles onde trabalham profissionais que, além de competentes, são da sua confiança e estabelecem um bom canal de comunicação com pacientes e familiares.

4 – Fique atento aos aspectos fisiológicos e psicológicos do seu corpo

Assim como pode ser benéfico, o estresse pode também ser nocivo e, por isso, é importante perceber os sinais de alerta em seu corpo para tomar as medidas cabíveis. Fique atento às alterações fisiológicas e psicológicas persistentes.

As sintomatologias fisiológicas mais frequentes são: fadiga, dores de cabeça, insônia, dores no corpo, palpitações, alterações intestinais, náuseas, tremores, extremidades frias, cansaço e resfriados constantes.

Os sintomas psicológicos referem-se à diminuição de concentração e memória, indecisão, confusão, perda do senso de humor, ansiedade, nervosismo, depressão, raiva, frustração, preocupação, medo, irritabilidade e impaciência.

5 – Recorra à ajuda profissional especializada

Caso perceba uma evolução significativa dos sintomas, e que destoe do seu padrão de normalidade, busque ajuda profissional. Há muitos psicólogos capacitados ao manejo do estresse preparados para, através de técnicas específicas, identificarem o estresse e comorbidades. Eles irão ajudar-lhe a superar o estresse através de intervenções validadas cientificamente.

Compreenda que todos nós, em algum momento de nossas vidas, podemos ser acometidos pelo estresse e que não podemos nos comparar uns com os outros, pois a carga que é sustentável por uma pessoa pode ser considerada como uma demanda insuperável para outra. No entanto, caso você não consiga pagar um profissional especialista neste momento, saiba que isso não é um problema.

Vários Psicólogos adotaram ações gratuitas de acolhimento online e se você é um profissional da área da saúde, existe uma plataforma pensada para você. A Rede Apoio Psicológico foi criada para cuidar de quem cuida e se cuida, também. Para saber mais acesse: www.redeapoiopsicologico.org.br.

Estamos vivendo um momento de muita vulnerabilidade, especialmente, na saúde, no trabalho e na economia. Esse contexto propicia o aumento de estresse porque tudo o que havíamos planejado até aqui, teve que ser alterado de forma muito brusca. Tivemos que nos adaptar rapidamente a um cenário imprevisível, instável e cheio de incertezas, somado a uma série de emoções acionadas pelo risco da não sobrevivência.

Hoje, mais do que nunca, precisamos lidar com o estresse de forma positiva. É agora que se faz necessário, compreender que, para gerenciar o estresse, primeiro deve-se identificar a existência dele, entender como ele se dá dentro de cada um de nós, e, depois disso, colocar em prática o que você leu neste artigo.

Aqui, você acessou estratégias para identificar e lidar com o estresse de forma funcional, compreendendo sua utilidade para a vida. Em minha próxima publicação compartilharei com você, técnicas para administrar o estresse e lidar de maneira mais efetiva com os desafios impostos pela pandemia que se instalou entre nós, nesse ano de 2020.

Para concluir, faço uma orientação direta para você que está realizando esta leitura, especialmente se é um profissional da saúde, que se engaja na missão de salvar vidas.

Invista em ações de autocuidado voltadas para detectar e gerenciar o estresse porque, assim, você estará cuidando de si e, também, cuidando do outro. Identifique o estresse para que se possa gerenciá-lo de forma efetiva.

A forma como você lida com o estresse pode ser decisiva para sua carreira, felicidade e longevidade. O equilíbrio, nesse momento do COVID-19, é algo desafiador, e é um investimento necessário para a superação de situações complexas, caso estas surjam em sua e, em nossas vidas. Cuide da vida de quem você ama, começando pela sua!

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