Nós já falamos aqui no blog e, tenho certeza, de que você, empresário e/ou gerente financeiro, já ouviu ou leu diversas vezes: “- o caixa é rei!” Ou seja, o que define a saúde de uma empresa é ter os recursos necessários para honrar com suas obrigações.

Se você perde o controle das suas finanças e/ou fica sem liquidez, isto pode significar a interrupção de suas operações ou te obrigar a recorrer a empréstimos em bancos em caráter de emergência. Com isso, seus investimentos de médio e longo prazo ficam comprometidos e a situação pode deteriorar até o ponto de sua empresa fechar as portas para sempre.

O que nem todos têm consciência é do papel que o Capital de Giro tem nesta questão, que pode ser definitivo na sobrevivência do seu negócio.

O Que é Capital de Giro?

Capital de giro é o recurso financeiro necessário para financiar as despesas e custos de operação da empresa, enquanto você não recebe o valor das suas vendas. Estamos nos referindo a: pagamento de fornecedores, compras de matérias-primas e estoques, pagamentos dos funcionários, contas como: água, luz e aluguel, pagamentos de tributos e obrigações

O controle do fluxo de caixa é uma ferramenta determinante para administrar o capital de giro. Assim como uma gestão eficaz das contas a receber e a pagar.

A fórmula de cálculo do Capital de Giro pode ser facilmente encontrada em diversos sites, vamos colocar aqui conforme site do Sebrae:

O capital de giro líquido e o fluxo de caixa estão diretamente ligados, como podemos observar na fórmula do capital de giro líquido:

CGL=AC-PC

Sendo:

AC – Ativo Circulante (caixa, bancos, aplicações financeiras, contas a receber, etc.).

PC – Passivo Circulante (fornecedores, contas a pagar, empréstimos, etc.).

Com certeza, seu contador consegue te passar essas informações observando o balanço patrimonial da sua empresa. Mas o importante não é como calcular, mas sim como ADMINISTRAR seu capital de giro e como ter mapeado formas de levantar esse importante recurso ANTES de precisar utilizá-lo. Estamos falando aqui de planejamento! A gestão do negócio é decisiva na hora de administrar o capital de giro.

Como Calcular o Valor Ideal Para Meu Capital de Giro?

É importante você conhecer bem as características do seu negócio. Para isso, levante relatórios com os números do passado, assim você terá referências para projetar os números do futuro.

Crie uma projeção financeira. Comece fazendo um detalhado planejamento das contas a pagar e das contas a receber levando em consideração suas projeções de vendas. Considere ainda o volume de compras e os custos de produção, despesas operacionais e os prazos médios de pagamento e recebimento.

Com essas informações em mãos, você saberá calcular a necessidade de capital de giro e pode partir para as ações para de fato levantar esse recurso.

Como Levantar Capital de Giro?

As ações que vamos sugerir para que você levante capital de giro se assemelham as nossas orientações para que você realize uma boa gestão do fluxo de caixa.

De forma simples: seu maior objetivo é receber dos seus clientes antes de ter que pagar seus fornecedores. Segue algumas orientações para executar essa premissa.

1 – Reduza o Prazo do seu Estoque

Para conseguir reduzir o prazo em que você gira o seu estoque, é necessário prioritariamente ter uma eficaz projeção de vendas. Assim, você só compra o estoque para o que efetivamente irá ser vendido. Para conseguir programar de maneira realista, é necessário sempre comparar o planejado versus realizado.

Em momentos de crise, é fundamental ter clareza de quais os produtos que estão no estoque há mais tempo e agir rápido! Transforme este estoque em caixa para sua empresa por meio de uma promoção ou liquidação.

2 – Negocie com Fornecedores, Priorizando as Contas Mais Importantes

Em momentos críticos como o que vivemos atualmente, saber para onde destinar seus recursos é ainda mais estratégico. Então tenha clareza quais os insumos são essenciais para o funcionamento do seu negócio. Esses devem ser os primeiros a serem pagos com o capital de giro.

Na maior parte dos casos, tente negociar prazos mais longos para pagamentos. Seus vencimentos devem ser maiores do que o período para recebimento do seu cliente, lembrando que você ainda tem o tempo da realização da venda e da logística para cobrir. Vale ressaltar que um prazo maior de pagamento pode ser até mais vantajoso do que um desconto, dependendo do seu negócio.

Ter uma comunicação transparente com os seus fornecedores é fundamental para construir uma relação de confiança e consequentemente conseguir negociações ganha-ganha. Controlar o custo fixo da empresa e fazer uma boa administração das despesas também é essencial para otimizar o capital de giro.

3 – Controle suas Contas a Receber

O primeiro passo dentro dessa categoria para conseguir otimizar seu capital de giro é perceber quais as oportunidades você pode gerar para receber antecipadamente de seu cliente. É importante analisar quais os produtos e serviços você pode receber pagamento a vista, oferecer a seus clientes descontos para esse tipo de recebimento.

Para reduzir o tempo de recebimento é de fundamental fazer uma boa gestão da inadimplência. Dentre as ações para essa finalidade está uma boa análise de crédito, um controle de pré-cobrança (antes do vencimento dos títulos) e uma poderosa cobrança, que envolve técnicas de negociação, transparência e boa gestão da informação.

4 – Saiba como Buscar Financiamentos com Instituições Financeiras

Você faz tudo o que está descrito acima, tem uma excelente gestão do seu fluxo de caixa, mas devido à crise que estamos vivendo no momento ainda precisa de um reforço do capital de giro?

Então é importante saber como falar com as instituições financeiras. Investigue o que seu interlocutor espera e quais são suas dores e vontades. Isso pode facilitar, e muito, a comunicação.  

Os bancos ou outras instituições para contrair dívida, estão buscando um retorno financeiro em forma de juros e taxas que irão cobrar da sua empresa e algum nível de segurança que você conseguirá pagar esta obrigação. Então, para conseguir ser “bem visto” pelos credores, você terá que mostrar um perfil financeiro que inspira credibilidade e bom relacionamento com a instituição.

Quando falamos sobre perfil financeiro, nos referimos a apresentar que existe uma boa gestão financeira, o que é tangível por meio de uma projeção de caixa bem consistente, um plano de negócios crível, relatórios financeiros realizados por um contador (balanço patrimonial, DRE, balancetes dos últimos 3 meses, relação de ativos e passivos, empréstimos com vencimentos e credores detalhados, entre outros) e por fim, garantias que os sócios possam apresentar.

Quando falamos em relacionamento, não necessariamente é uma amizade com o gerente, mas se sua empresa já trabalha com o banco tem algum tempo, já utiliza alguns produtos (folha de pagamento, seguros, investimentos, etc), você terá maior argumentação na hora de pleitear um empréstimo.

Por fim, o mais importante é que, no momento da negociação, você empresário ou gerente financeiro consiga mostrar de forma estruturada qual a finalidade o recurso será usado, e transmita segurança para a instituição com quem conversa.

Não deixe para iniciar esse relacionamento somente no momento da emergência, comece o quanto antes. Pense que é uma parceria estratégica para o seu negócio.

Fonte: Sebrae