Antes de ler esse post você deve saber que trazemos informações *spoiler alert* sobre as duas temporadas da série. Então, caso você não queira saber o final da primeira e segunda temporadas, vale a pena assistir antes de continuar a leitura.

Em duas temporadas, a série “Sunderland até morrer” mostra a jornada de um clube de futebol de uma cidade portuária no norte da Inglaterra, logo após ser rebaixado, e a contínua e (quase) eterna paixão de seus torcedores pelo clube.

Na primeira temporada, o documentário mostra os bastidores do time na segunda divisão, lutando para voltar à primeira. Já a segunda temporada mostra o time sob uma nova gestão, lutando para sair da pior divisão do campeonato inglês.

Particularmente, não acompanho futebol, muito menos o futebol britânico, mas gostei muito de assistir a essa série pelo número de insights que tive sobre liderança.

É fantástico ver o contraste das performances do time sob os diferentes comandos. Foi inspirador perceber nas cenas o quanto moral e cultura influenciam na performance esportiva.

Aliás, não só na performance esportiva, mas também na corporativa. Principalmente, durante tempos difíceis como quando se passa por um rebaixamento ou quando se vê a receita indo pelo ralo devido a um evento sobre o qual não temos controle, como uma pandemia. 

Indico fortemente que assista essa série, em especial se você é RH, líder ou empresário. Você será inspirado, provavelmente aprenderá algo e de brinde será contemplado por um excelente entretenimento para épocas de isolamento, principalmente se você ama futebol.

Vou me ater as lições de liderança, já que sobre futebol sei muito pouco.

3 Lições de Gestão e Liderança da Série “Sunderland Até Morrer”

1- A Força de um Negócio é Diretamente Proporcional à Força de seus Líderes

Na primeira temporada da série, vemos um time desmoralizado pelo rebaixamento e consequente corte orçamentário. O time da alta gestão permanece, exceto pelo técnico. O proprietário do time, não aparece em momento algum durante o campeonato. Ele é apenas citado como quem não irá investir mais nenhum centavo no clube.

O diretor executivo do clube culpa, indiretamente, o empresário omisso a cada problema que aparece. Não assume responsabilidades, não motiva a equipe, não dá direção e nem reforça uma cultura de resultados.

Apesar de falar diversas vezes que futebol é um negócio de resultados, suas atitudes criam uma cultura de descompromisso. É interessante perceber que tal diretor não percebe seus erros na gestão, algo comum aos ambientes corporativos.

Empresas onde as pessoas são parcialmente comprometidas ou descomprometidas não ganham campeonatos. Pelo contrário, perdem jogos, perdem público pagante, perdem patrocinadores e são rebaixados.

Assim entramos na segunda lição.

2- Líderes Criam Cultura de Resultados

Quando o clube é vendido para novos donos, existe uma perceptível mudança de ritmo no documentário.  O novo dono Donald Steward é presente, apaixonado por futebol e traz ao lado dele Charles Methven, um brilhante executivo de Marketing.

Eles têm a missão de reestruturar financeiramente o clube afundado e conseguir sair da terceira divisão.

Durante a segunda temporada, vemos um jeito “Ambev” ou “Jack Welch” de fazer gestão. Sem terno e gravata, sem formalidade, sem portas fechadas e absolutamente mão na massa.

Eles adentram nos números e tomam as rédeas da situação com ações expressivas. Inclusive ações pouco populares, mas necessárias como desligar colaboradores que não se adequam à nova cultura.

Eles criam uma cultura orientada a resultados, envolvem todos os colaboradores nas decisões e na execução.  Um líder tem o papel de mudar o fluxo natural e é isso que eles fazem.

Podemos participar como espectadores de algumas reuniões de planejamento e perceber a energia dos novos gestores. É incrível ver o planejamento para o jogo realizado no Natal, em que a meta era lotar o estádio para conseguir aumentar a receita do clube.

Methven leva sua equipe para a ação. Eles alteram a música do estádio, envolvem a torcida e os jogadores na reforma das cadeiras da arquibancada e acompanham as vendas de ingressos junto com a equipe da bilheteria.

Não é surpresa que ele consegue um público pagante recorde neste jogo.

3 – Não é Sobre Futebol, Não é Sobre Negócios. É Sempre Sobre Pessoas!

É preciso fazer as pessoas de fato se importarem com o clube. Neste caso, falamos dos executivos, dos jogadores, de toda a equipe de apoio, dos torcedores.

O bom líder tem o dever de tomar as devidas decisões para que todos de fato acreditem nas metas, nos planos e busquem seu sucesso nas realizações do time; e, assim, estejam dispostos a realizar as ações necessárias para isso.

Consegui perceber durante a série algumas ações pensadas pelos novos donos que despertava nas pessoas um sentimento de pertencimento. Sejam nos clientes (torcedores) ou nos colaboradores internos e jogadores.

A iniciativa de trocar os bancos “rosas” do estádio por novos bancos e chamar a torcida e os jogadores para realizar o serviço foi fantástica. Gerou a experiência de protagonizarem a mudança, e ainda criou um símbolo para esta transformação, sendo estes dois elementos fatores críticos de sucesso no processo de gestão da mudança.

Tudo isso culminou em um excelente resultado com o estádio renovado. Enfim, mesmo com diversas atitudes acertadas na liderança nem sempre garantem o resultado. A série tem um final surpreendente (que não vou relevar para não estragar seu programa).

“Sunderland até morrer” é divertido e rápido de assistir. Duas temporadas que mostram diversas lições de liderança.

E você assistiu, gostou? Qual outro insight sobre gestão de negócios, pessoas ou liderança você teve? Compartilhe conosco.

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