Por Camilla Paiva e Lorranny Sousa

Você já sentiu que, enquanto líder, ter sempre que ser exemplo, acaba sendo pesado demais? Quantas vezes você questionou sua própria liderança, devido à insatisfação com sua performance ou da sua equipe? E quantas vezes esses questionamentos vieram de outras pessoas, acima ou abaixo de você?

O fato é, ser líder requer lidar com muitas exigências, sejam elas internas ou do ambiente. O problema é que quase nunca falamos sobre isso, e, raramente, somos preparados para lidar com o acúmulo de exigências, que por vezes acabam se transformando em estresse ocupacional.

Quando damos os primeiros passos na liderança, aprendemos logo que devemos agir de forma exemplar, e isso quer dizer que, devemos ser e inspirar pessoas a serem a melhor versão que puderem. 

Mas o que acontece quando mesmo a nossa melhor versão não é suficiente para atender nosso nível de exigência? Quando isso acontece experimentamos alto nível de estresse! Todas as vezes que uma exigência extrapola os nossos recursos de enfrentamento, sentimos um estresse, e se, não desenvolvemos habilidades para gerenciá-lo, ele pode se tornar nocivo.

Vamos começar por um dos princípios mais relevantes: se você busca ser um líder exemplar, comece pelo equilíbrio. A liderança exemplar não é uma liderança perfeita, mas sim uma liderança que busca balancear aquilo que, de fato, era possível realizar e o que foi realizado.

Ao invés de se cobrar de forma excessiva, ou aceitar as cobranças excessivas de outras pessoas, gerencie os estressores presentes em seu dia a dia, buscando se conhecer e aprender sobre sua equipe e sobre as pessoas com quem lida no dia a dia, se mobilizando para se adaptar aos cenários voláteis, não perdendo o otimismo e desenvolvendo, cada vez mais, a habilidade de gerir o estresse.

Você sabia que antes mesmo da pandemia, uma pesquisa realizada pela ISMA (International Stress Management Association) demonstrou que 70% dos brasileiros já sofriam de estresse no trabalho?

Imagina só se essa pesquisa fosse realizada no cenário atual! Certamente os números seriam muito superiores e é por isso que, neste texto, irei compartilhar com você formas de gerenciar o estresse.  Continue lendo e confira na sequência.

5 Práticas para Gerenciar seu Estresse

Identifique as fontes que geram estresse no trabalho

Levantar os fatores que geram estresse vai permitir maior controle sobre aquilo que está impactando o seu dia a dia. Lembre-se que alguns fatores são mais gerenciáveis do que outros, assim como alguns fatores estão mais fora do nosso controle. Por isso, faça sempre o exercício de avaliar o quanto você pode intervir.

De acordo com estudos de Irigaray e Otero (2018), você tem autonomia sobre 1/3 (um terço) do que acontece com você, sendo que as pessoas com quem você convive também tem 1/3 de autonomia sobre o que acontece contigo, e o ambiente (outros fatores) ficam com autonomia sobre outros 1/3. Não se cobre além do que depende de você.

Não crie mais estressores do que os que já existem e lembre-se: antes de buscar gerenciar o estresse da sua equipe, gerencie primeiro o seu.

Atue sobre os estressores que pode gerenciar

Concentre-se nas fontes de estresse que pode gerenciar. Não centralize tarefas, aprenda a delegar o que pode ser delegado para a equipe. A maior parte dos líderes sentem-se sobrecarregados, e acabam por centralizar tarefas por acreditar que é a única pessoa capaz de executá-las.

Pergunte-se sempre o que poderia estar delegando que não está. Delegar a quem ainda não possui capacidade de execução da tarefa requer treinar o outro, acompanhar de perto por um tempo, ter paciência para lidar com os erros e confiar no mesmo, para depois deixá-lo caminhar sozinho, mas tenha certeza que todo esse esforço trará, como contrapartida, melhores resultados e menos estresse para você.

Priorize delegar as tarefas que não explorem seus maiores talentos, ou seja, onde você não gera tanto valor ao resultado final por não ser algo que dependa de uma expertise única ou valiosa que você tenha. Enxugue processos e se necessário renegocie prazos de entregas. Revise e atualize suas metas com seu superior imediato, calibrando expectativas de ambos os lados, e faça o mesmo com a sua equipe.

As metas devem ser desafiadoras, mas também alcançáveis. Aproveite para reforçar os papéis e responsabilidades de cada um da equipe, as pessoas precisam se sentir responsabilizadas pelas entregas, caso contrário você terá a tarefa de ficar cobrando o que te sobrecarregará.

Outra orientação valiosa é: invista no alinhamento de expectativas e prioridades de forma periódica (preferencialmente semanalmente), com cada pessoa da equipe. Você perceberá rapidamente que essa atividade terá impacto positivo grande na produtividade de ambos por construir confiança e diminuir retrabalho.

Crie um ambiente favorável para que o seu time tenha condições de gerir o próprio estresse

Se existe algo que diminui nosso nível de estresse é experimentar a oxitocina disparada por nosso cérebro quando ajudamos alguém. Ser líder é exercer o eterno ofício de ajudar pessoas. E sua equipe precisa muito de ajuda neste momento, portanto intensifique o suporte emocional a estas pessoas.

Escute sua equipe e compreenda os anseios e dificuldades das pessoas, você pode ter domínio de conhecimentos e ferramentas que eles não têm. Compreenda se sua equipe sabe lidar com as novas demandas, ou se precisa de ajuda. Compartilhe seu conhecimento, e pense em formas de otimizar as orientações e esclarecimento de dúvidas. Outra forma de estimular o suporte social é delegar as atividades para serem executadas em duplas, isso costuma funcionar bem.

Mantenha a distância física, mas esteja mais próximo virtualmente. Aproveite para conhecer melhor os seus liderados, pares e superiores. Já pensou em marcar um happy hour online para compartilharem sobre como está sendo esse período para cada um? Combinem um horário, escolham os petiscos prediletos, e se sentir à vontade, fale algo sobre você.

Estimule um ambiente de aprendizagem

Parece contrassenso, mas aprender atividades diferentes, que lhe ofereça um novo domínio sobre alguma tarefa ou ramo de conhecimento, tende a reduzir significativamente os níveis de tensão. Você pode aprender a usar uma nova ferramenta, ou aperfeiçoar o uso de alguma ferramenta que já utiliza, ou mesmo dar treinamentos. Já dizia o sábio ditado “Quem ensina aprende duas vezes”.

O Zoom, plataforma de vídeo conferência, permite montar várias salas individuais simultâneas, com a quantidade que participantes que você quiser. Utilize ferramentas online para ensinar sua equipe. Você pode conduzir dinâmicas ou estudos de casos digitais. Desta forma, você aumentará seus próprios recursos e estará, também, estimulando a aprendizagem da equipe.

Cultive hábitos saudáveis

Realize atividades físicas. Se for preciso faça adaptações para conseguir se exercitar em casa, seja sozinho, ou com assessoria online. A liberação de endorfina nos ajuda a lidar com o estresse. Programe momentos diários para fazer o que gosta, isso lhe trará emoções positivas.

Busque uma nutricionista, há alimentos específicos que ajudam a combater a ansiedade. Ainda que esteja em home office, faça uma programação da sua agenda e estabeleça uma rotina que permita pequenas pausas para descanso, como por exemplo o horário de almoço. Estamos conectados, mas precisamos nos desconectar.

A liderança pelo exemplo é o único caminho para o sucesso do líder, mas pode ser transformada em fonte de altos níveis de estresse. Assuma a vulnerabilidade de não ser uma pessoa perfeita.

Ser sua melhor versão e estar sempre engajado em seu desenvolvimento é o que está sobre sua autonomia, portanto mantenha uma comunicação transparente e clara com seu superior e sua equipe sobre suas fragilidades e limitações, sempre que perceber necessário.

Se manter protagonista e ser vulnerável são papeis paradoxalmente complementares na vida de uma liderança. Sugerimos que leia o livro “A coragem para liderar”, de Brené Brown, lá você terá ainda mais informações sobre esse desafiador paradoxo.

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