Há algum tempo, RHs vêm entoando o discurso que compõem uma área estratégica para as empresas e que, portanto, devem participar das decisões crucias do negócio. Acredito que estamos realmente evoluindo e conquistando, cada dia mais, nosso espaço entre as áreas chaves das organizações.

Mas, você provavelmente já ouviu aquela frase: “Mar calmo nunca fez bom marinheiro!”. Apesar de não concordar totalmente com essa expressão, entendo que ela retrata muito bem o momento que estamos vivendo. Do ponto de vista dos empresários, agora é a hora da verdade! É hora dos RHs provarem que podem ser realmente relevantes para a navegação neste mar turbulento.

De acordo com Idalberto Chiavenato, um dos estudiosos mais conhecidos no campo da Administração e Gestão de Pessoas, um RH estratégico é aquele que cria um elo entre as pessoas e a estratégia da organização, assegurando que os objetivos da empresa sejam alcançados, bem como o bem-estar das pessoas ligadas a ela.

Até aqui, já dá para perceber que a tarefa não é fácil! Fica, ainda, nas mãos de um RH estratégico estimular a construção de relacionamentos estáveis, desenvolver planos de desenvolvimento e estimular o comprometimento dos profissionais.

5 Dicas Para Ser um RH Estratégico em Tempos de Crise

E, se em momentos de “normalidade”, essas atividades já são bastante desafiadoras, como ser um RH realmente estratégico em tempos de crise? Confira as dicas abaixo e coloque estas atitudes em prática em sua empresa.

1 – Ouça as dores de ambos os lados

Sabe o que as pessoas mais estão precisando nesse momento? Serem ouvidas! Um turbilhão de coisas acontecendo, a sensação de perda de controle e uma total imprevisibilidade do que vem pela frente geram muito desconforto. E, é claro, cada pessoa da sua empresa tem um ponto de vista sobre o que está acontecendo e o que entende que deveria ser feito. Ouvir as pessoas tem, pelo menos, dois benefícios:

– Aumento do senso de pertencimento: As pessoas se sentem importantes e parte do processo, quando suas opiniões são ouvidas. Isso contribui para reduzir a resistência frente a futuras decisões;

– Algumas ideias podem ser REALMENTE interessantes: Os colaboradores, que vivem diariamente a execução do negócio, podem ter sugestões relevantes para vivenciarem esse momento de conflito. Talvez pequenas mudanças, que só podem ser enxergadas por quem está na operação, podem trazer impactos significativos nos resultados no período de crise.

Por outro lado, é fundamental ouvir também a alta direção, afinal, são eles que estão com as contas nas mãos. Entenda o cenário atual, as demandas imediatas e como os gestores estão enxergando o futuro. Essas informações são necessárias para que você enquanto RH apresente estratégias de enfrentamento da sua área. Reforce o seu papel como mediador e mostre-se disponível.

2 – Busque amparo legal para compreender a situação

Eu sei que nem mesmo os juristas e autoridades estão entrando num consenso quanto às informações! Porém, um RH realmente estratégico precisa acompanhar de perto todas essas movimentações. Esteja em contato direto com a área jurídica da sua empresa e busque informações em fontes confiáveis (sites oficiais, órgãos da administração legal, conselhos de classe, rede de imprensa séria, etc.).

Qualquer decisão que afete a rotina de trabalho dos colaboradores, remuneração e benefícios precisa ser analisada com cautela, avaliando-se os aspectos legais (como já dissemos) e os impactos na produção e clima organizacional. É papel do RH, prever e apresentar esse estudo aos gestores da empresa!

3 – Estabeleça um plano de comunicação interna

Outra necessidade fundamental em tempos de crise é comunicar o que vem acontecendo. Lembre-se que todas as partes encontram-se vulneráveis, apreensivas e assustadas. Não saber o que está acontecendo na sua empresa gera muita angústia. Além disso, quando não há comunicação oficial por parte da empresa, a famosa “rádio peão” se encarrega de fazê-la. E, mais do que nunca, a comunicação precisa ser rápida e eficiente.

Apresente ao gestor da empresa, propostas e ferramentas que alcancem o maior número de pessoas, com a maior velocidade. Ou seja, não adianta enviar e-mail, se a maioria dos profissionais não está acessando o computador diariamente. Grupos de Whatsapp podem auxiliar nessa tarefa, mas talvez seja recomendado bloquear as interações, permitindo apenas que pessoas autorizadas repassem os comunicados. Defina um cronograma com informações periódicas e preveja comunicados emergenciais.

Outro aspecto importante é definir quais mensagens devem ser priorizadas. O que os colaboradores precisam realmente saber? É preciso muita coerência e transparência nesse momento, orientando os profissionais quanto às necessidades de entrega da empresa e possíveis impactos decorrentes da crise. Ao mesmo tempo, é necessário transmitir segurança e confiabilidade. Decisões já tomadas e medidas concretizadas devem ser comunicadas imediatamente, evitando que a fofoca se espalhe de forma desastrosa.

4 – Reveja e redefina processos da área

Não tenha dúvidas! Você, com certeza, terá que rever e alterar seus processos de alguma forma! Com base no novo posicionamento estratégico da empresa, repense o que o RH deverá adequar.

– Haverá alterações nas previsões de contratações?

– Haverá substituições?

– Haverá alguma mudança de perfil para os novos contratados?

– Como os processos seletivos serão conduzidos nesse período?

– Haverá desligamentos? Como conduzi-los?

– Reveja orçamento para projetos.

– Estude a revisão de políticas de remuneração e benefícios (analisando, é claro, todos os ganhos e impactos gerados).

– Repense necessidades e ferramentas de treinamentos, frente à nova realidade.

– Pense em estratégias de motivação e a acolhimento para o após crise.

Enfim, entenda as necessidades específicas do seu negócio, da sua empresa, e adapte seu planejamento.

5 – Não se esqueça do Clima Organizacional

Quem atua com RH sabe bem a importância desse termo e o quanto esse movimento invisível pode ser benéfico ou prejudicial à empresa, dependendo do seu estado atual. Portanto, nada de deixar a peteca cair! É responsabilidade do RH estratégico, nesse momento, promover ações que gerem uma percepção positiva da empresa, por parte dos colaboradores. E, com a casa bagunçada, será preciso uma boa dose de criatividade e planejamento rápido.

Um bom plano de comunicação, como já dissemos, é a base dessa estratégia. Além disso, concentre-se em manter as ações de endomarketing já planejadas. Se não dá para fazer a festa de aniversariantes do mês (seja para evitar aglomerações, ou porque os colaboradores estão em casa), é possível gravar um vídeo para cada aniversariante, ou mandar um cartão virtual? Talvez seja possível reunir a equipe para cantar parabéns por vídeo conferência.

Se não dá para manter a ginástica laboral na área de recreação, então o professor pode gravar um vídeo com dicas de postura e alongamento, para ser enviado a todos no grupo do Whatsapp. Enfim, é hora de sair da zona de conforto e improvisar.

Proponha estratégias de descompressão! Se você nunca ouviu esse termo, é só lembrar-se daqueles espaços (salas de descompressão) que algumas empresas já oferecem, para que os colaboradores se desconectem um pouco do trabalho. O principal objetivo é promover um tempo de relaxamento e alívio de tensões, para que todos retornem às atividades, revigorados.

Nem preciso dizer que as tensões estão em alta nesse momento, não é mesmo?! Por isso, pense em ideias como uma pausa para jogos on-line, ou um happy hour virtual, no final do expediente. Outra ideia legal e que costuma envolver quase todo mundo é criar desafios, como por exemplo: indicações de livros ou filmes que estão assistindo, postar fotos nas redes sociais do que estão fazendo agora, etc.

Por fim, estamos vivendo um momento novo e é natural que estejamos todos apreensivos. Não tivemos treino! O “jogo” começou, sem que tivéssemos uma estratégia definida e, por isso, até o técnico está perdido. Portanto, te convido a assumir uma camisa muito importante, a de capitão.

Lembre-se que, durante o jogo, o capitão é aquele que recebe as orientações do técnico, discute as regras com o árbitro e dirige a equipe dentro de campo.

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